"Certa vez, uma alminha no céu decidiu reencarnar. Era uma chama de luz, muito brilhante, na nuvem, à espera de encarnar.
Tinha subido havia algum tempo, e tinha dedicado um período a analisar o passado, a vida passada. Aliás, as vidas passadas.
Tudo o que tinha cumprido, e o que nem por isso. Emoções tortuosas que tinha limpo e outras que tinha ganho.
A alminha, na nuvem, preparava-se para uma nova jornada. E preparava também a missão. O que escolhera desta vez. As tensões a que iria ser sujeita, para que a sua nova tarefa vingasse.
Escolhia o tempo de país, o tipo de pais, as condições económicas, sociais e atmosféricas.
Se iria nascer com a emoção à flor da pele, ou com um bloqueio desmesurado.
Tudo foi combinado ao pormenor com as outras almas com quem iria cruzar no caminho. Quando encarnasse e entrasse no corpo de um bebé, iria esquecer-se de tudo.
O véu do esquecimento é implacável.
Só havia uma única coisa que lhe pediam que nunca esquecesse. Só uma.